{"id":218,"date":"2010-04-19T17:40:46","date_gmt":"2010-04-19T19:40:46","guid":{"rendered":"http:\/\/nandadefreitas.wordpress.com\/?p=218"},"modified":"2026-02-26T02:56:42","modified_gmt":"2026-02-26T02:56:42","slug":"palmeiras-x-corinthians-1945-o-jogo-vermelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nandadefreitas.com.br\/index.php\/2010\/04\/19\/palmeiras-x-corinthians-1945-o-jogo-vermelho\/","title":{"rendered":"Palmeiras x Corinthians 1945: o jogo vermelho"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify;\">\n<p><a href=\"http:\/\/nandadefreitas.files.wordpress.com\/2010\/04\/livro_aldo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-225\" title=\"livro_aldo\" src=\"http:\/\/nandadefreitas.files.wordpress.com\/2010\/04\/livro_aldo.jpg?w=300\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"243\" srcset=\"https:\/\/nandadefreitas.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/livro_aldo.jpg 600w, https:\/\/nandadefreitas.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/livro_aldo-300x208.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/a>No dia 13 de outubro de 1945, o est\u00e1dio do Pacaembu foi palco de um\u00a0jogo hist\u00f3rico, de inestim\u00e1vel valor para a democracia brasileira. Palmeiras e Corinthians se enfrentaram na disputa por um trof\u00e9u, a est\u00e1tua de bronze de uma deusa grega.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia do jogo vem tamb\u00e9m de seus objetivos. Ambos os times abriram m\u00e3o da renda com o prop\u00f3sito de ajudar a financiar a campanha eleitoral do Partido Comunista do Brasil naquele ano.<\/p>\n<p>O deputado federal, jornalista e escritor Aldo Rebelo, visitando a sala de trof\u00e9us\u00a0do Palmeiras\u00a0encontrou a ta\u00e7a com a seguinte inscri\u00e7\u00e3o &#8220;<strong><em>Homenagem do Movimento Unificador dos Trabalhadores&#8221;<\/em><\/strong>. Come\u00e7ou a\u00ed uma pesquisa sobre a partida realizada entre Palmeiras e Corinthians, h\u00e1 mais de 70 anos. O resultado do trabalho \u00e9 o livro <strong>&#8220;Palmeiras x Corinthians 1945: o jogo vermelho&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p>Os bastidores dessa hist\u00f3ria foram contados no livro. A partir de uma intensa pesquisa, que incluiu arquivos de jornais, universidades, clubes, Federa\u00e7\u00e3o Paulista de Futebol e entrevistas com ex-dirigentes comunistas, ex-jogadores e familiares de pessoas ligadas ao jogo, Aldo Rebelo lembra a partida e revela os bastidores do que aconteceu no est\u00e1dio Pacaembu naquele 13 de outubro de 1945.<\/p>\n<p><strong>Hoje, 19\/04, \u00e0s 19h, o deputado estar\u00e1 no Hotel Nacional Inn (av Benedicto Campos, 35 &#8211; Jd. do Trevo &#8211; Campinas)\u00a0para\u00a0a sess\u00e3o de aut\u00f3grafos do livro.<\/strong><\/p>\n<p>Compare\u00e7a. N\u00e3o perca essa oportunidade de participar de um bate-papo com Aldo Rebelo e de conhecer um pouco mais sobre a hist\u00f3ria de Corinthians e Palmeiras.<\/p>\n<p>Fonte: Comunica\u00e7\u00e3o &#8211; PCdoB<\/p>\n<p>MAT\u00c9RIA PUBLICADA NO CORREIO POPULAR<\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"40%\" align=\"center\" bgcolor=\"#006898\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<div><span style=\"font-family:Verdana;color:#ffffff;font-size:xx-small;\"> Publicada em 19\/4\/2010 <\/span><\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#cccccc\">\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.cpopular.com.br\/images\/pix.gif\" alt=\"\" width=\"1\" height=\"1\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><span style=\"font-family:verdana;font-size:x-small;\"> Caderno C<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family:arial;color:#003366;font-size:small;\"><strong> A hist\u00f3ria de um \u2018jogo vermelho\u2019 <\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family:arial;color:#000000;font-size:x-small;\">\/ <strong>REAL<\/strong> \/ Livro sobre partida entre os clubes Palmeiras e Corinthians em 1945 \u00e9 lan\u00e7ado hoje em Campinas<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family:arial;color:#000000;font-size:x-small;\"> <\/span><span style=\"font-family:arial;color:#000000;font-size:x-small;\"> <img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/cpopular.cosmo.com.br\/%5Cimages%5C2010%5C4%5C19%5C20100419_cad_01.jpg\" border=\"1\" alt=\"\" align=\"right\" \/> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family:arial;color:#000000;font-size:x-small;\"><strong>Bruno Ribeiro<\/strong><br \/>\nDA AG\u00caNCIA ANHANGUERA<br \/>\n<a href=\"mailto:bruno@rac.com.br\">bruno@rac.com.br<\/a><\/span><\/p>\n<p>Em 1945, o mundo ainda chorava os mortos da Segunda Guerra. No Brasil, o Estado Novo chegava ao fim. A derrocada da ditadura de Get\u00falio Vargas lan\u00e7ou \u00e0s ruas milhares de militantes comunistas, antes proibidos de exercer sua milit\u00e2ncia ou mesmo revelar sua identidade. No dia 13 de outubro, Palmeiras e Corinthians, dois dos maiores clubes do futebol brasileiro, organizaram uma partida beneficente para arrecadar fundos ao Movimento Unificador dos Trabalhadores, corrente ligada ao Partido Comunista Brasileiro (PCB).<\/p>\n<p>A iniciativa, in\u00e9dita no futebol, teria ajudado a financiar a primeira campanha pol\u00edtica do partido depois de sair da ilegalidade. Apesar do gesto de desprendimento e solidariedade dos clubes, o epis\u00f3dio acabou esquecido pela hist\u00f3ria. Coube ao deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) resgatar esta hist\u00f3ria e transform\u00e1-la no livro O Jogo Vermelho \u2014 Palmeiras x Corinthians \u2014 1945, uma grande cr\u00f4nica que combina jornalismo liter\u00e1rio e pol\u00edtica. O livro ser\u00e1 lan\u00e7ado hoje, no Hotel Nacional Inn, em Campinas. O autor participar\u00e1 da sess\u00e3o de aut\u00f3grafos a partir das 19h.<\/p>\n<p>Publicado pela Editora Unesp, O Jogo Vermelho conta a hist\u00f3ria de uma \u00e9poca em que S\u00e3o Paulo vivia a eclos\u00e3o do movimento oper\u00e1rio, historicamente ligado aos anarquistas e comunistas. Muitos dos jogadores de futebol daquele per\u00edodo eram tamb\u00e9m oper\u00e1rios ou mantinham algum tipo de v\u00ednculo com a causa dos trabalhadores. Rebelo, que \u00e9 jornalista por forma\u00e7\u00e3o, reconstr\u00f3i habilmente o embate entre os maiores rivais do futebol paulista. Aos mais velhos, o autor possibilita reviver as jogadas geniais de Junqueira, Waldemar Fi\u00fame, Canhotinho, Domingos e Ruy. O enfoque principal, por\u00e9m, est\u00e1 nos bastidores.<\/p>\n<p>A narrativa feita em linguagem coloquial, mas elegante, empresta contornos \u00e9picos ao cl\u00e1ssico. A narrativa, ali\u00e1s, poderia remeter a um romance de fic\u00e7\u00e3o se n\u00e3o fosse intercalada com entrevistas, depoimentos e uma s\u00e9rie de anexos que ajudam na imers\u00e3o do leitor dentro da hist\u00f3ria. O Jogo Vermelho traz s\u00famulas, recortes de jornais e fotografias dos personagens que ajudaram a organizar e que disputaram a partida. O placar de 3 a 1 favor\u00e1vel ao Palmeiras acabou sendo um detalhe a mais. \u201cComo palmeirense, n\u00e3o pude deixar de ficar satisfeito com a descoberta\u201d, brinca Rebelo.<\/p>\n<p><strong>AGENDE-SE<\/strong><\/p>\n<p>O qu\u00ea: O Jogo Vermelho \u2014 Lan\u00e7amento do livro com a presen\u00e7a do autor e deputado federal Aldo Rebelo<br \/>\nQuando: Hoje, \u00e0s 19h<br \/>\nOnde: Hotel Nacional Inn (Av. Benedicto Campos, 35, Jardim do Trevo)<br \/>\nQuanto: Entrada franca<\/p>\n<p><strong>INSPIRA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO futebol brasileiro \u00e9 um campo muito pr\u00f3digo, muito f\u00e9rtil em boas hist\u00f3rias.\u201d<\/p>\n<p><strong>Ta\u00e7a encontrada ao acaso motivou apura\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><em>Para relatar os fatos, autor buscou informa\u00e7\u00f5es em jornais, fez entrevistas e encontrou at\u00e9 mesmo uma testemunha<\/em><\/p>\n<p>Palmeirense fan\u00e1tico, o deputado Aldo Rebelo afirma nutrir pelo futebol uma paix\u00e3o t\u00e3o visceral quanto a que demonstra ter pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) \u2014 no qual est\u00e1 filiado desde 1977. Para ele, futebol e pol\u00edtica s\u00e3o assuntos que podem andar juntos: na C\u00e2mara dos Deputados, logo ap\u00f3s a derrota do Brasil para a Fran\u00e7a na Copa do Mundo de 1998, foi presidente da CPI que investigou o contrato entre a Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol (CBF) e a multinacional Nike. Seu perfil nacionalista ficou marcado por propostas como a do Dia Nacional do Saci e pelo fim dos estrangeirismos na l\u00edngua portuguesa. Aldo falou ao Caderno C sobre o livro.<\/p>\n<p><strong>Caderno C \u2014 Consta que o senhor teve a ideia de escrever o livro ap\u00f3s uma visita \u00e0 sala de trof\u00e9us do Parque Ant\u00e1rtica. Como foi isto?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Aldo Rebelo <\/strong>\u2014 Realmente, foi uma obra do acaso. Sou algu\u00e9m que gosta de visitar as salas de trof\u00e9us dos clubes. Vejo as salas de trof\u00e9us como bibliotecas. As ta\u00e7as, como os livros, contam uma hist\u00f3ria. Cada uma daquelas ta\u00e7as, daqueles trof\u00e9us, carrega uma hist\u00f3ria e, por tr\u00e1s dela, a hist\u00f3ria de muitos brasileiros. Nesta visita, uma ta\u00e7a me chamou especialmente a aten\u00e7\u00e3o: era uma ta\u00e7a que trazia esculpida uma mulher alada, projetada para a frente como se estivesse se preparando para al\u00e7ar voo. Havia sido conquistada pelo Palmeiras, num jogo contra o Corinthians, no dia 13 de outubro de 1945. Como achei a ta\u00e7a bonita, diferenciada, me abaixei para ler o que estava escrito nela. Constava a seguinte inscri\u00e7\u00e3o: \u201cHomenagem ao Movimento Unificador dos Trabalhadores\u201d.<\/p>\n<p><strong>Esta frase o levou a querer saber mais sobre a partida?<\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong>Justamente. Isso porque o Movimento Unificador dos Trabalhadores era uma corrente criada pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Durante as pesquisas, descobri que aquele jogo s\u00f3 poderia ter acontecido naquele ano, j\u00e1 que o partido havia acabado de sair da ilegalidade e voltaria para ela pouco depois.<\/p>\n<p><strong>Como foi feita a pesquisa?<\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong>Depois da minha derrota para a presid\u00eancia da C\u00e2mara dos Deputados, aproveitei para colher informa\u00e7\u00f5es em jornais da \u00e9poca e na imprensa partid\u00e1ria. Mas tive que complementar com entrevistas com gente do partido, dos clubes e com quem vivenciou o jogo. Encontrei at\u00e9 uma testemunha ocular: um homem que estava na arquibancada naquele dia.<\/p>\n<p><strong>Qual era o objetivo daquele Palmeiras x Corinthians?<\/strong><\/p>\n<p><strong><\/strong>O objetivo era promover um jogo beneficente para arrecadar dinheiro para o Partido Comunista. Descobri que foram arrecadados 115 mil cruzeiros, que foram usados para financiar uma campanha pol\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>Havia alguma rela\u00e7\u00e3o entre os clubes e o Partido Comunista?<\/strong><\/p>\n<p><strong><\/strong>At\u00e9 onde sabemos, nenhum dirigente ou jogador dos times era filiado. Mas o partido tinha amigos e simpatizantes nos dois clubes. Al\u00e9m disso, \u00e9 bom frisar, havia no ar um sentimento de culpa. A sociedade achava que o Pa\u00eds tinha uma d\u00edvida com os comunistas. Muita gente havia morrido por ser comunista, como a Olga Ben\u00e1rio, mulher de Lu\u00eds Carlos Prestes, enviada para um campo de concentra\u00e7\u00e3o na Alemanha nazista.<\/p>\n<p><strong>Por que hist\u00f3rias como esta n\u00e3o chegaram ao conhecimento do grande p\u00fablico?<\/strong><\/p>\n<p><strong><\/strong>Muitas passagens continuam na obscuridade porque o futebol brasileiro \u00e9 um campo muito pr\u00f3digo, muito f\u00e9rtil em boas hist\u00f3rias. Muitas delas n\u00e3o foram devidamente documentadas e se perderam no tempo. E tamb\u00e9m porque a nossa classe intelectual n\u00e3o est\u00e1 profundamente vinculada ao universo do futebol, que \u00e9 basicamente o universo das classes populares.<\/p>\n<p><strong>Neste sentido, h\u00e1 uma lacuna liter\u00e1ria? O senhor acha que h\u00e1 poucos livros sobre futebol no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong><\/strong>De fato, a nossa literatura \u00e9 carente de livros que tratam de futebol. Diante do que o futebol representa para os brasileiros, chega a ser estranho que os escritores n\u00e3o se aventurem a escrever hist\u00f3rias inspiradas nesse universo. Talvez porque nossos intelectuais, como eu j\u00e1 disse, n\u00e3o se sintam muito pr\u00f3ximos do povo. (BR\/AAN)<\/p>\n<p><strong>BILHETERIA<\/strong><\/p>\n<p>\u201cForam arrecadados 115 mil cruzeiros, usados para financiar campanha pol\u00edtica\u201d<\/p>\n<p><span style=\"font-family:arial;color:#000000;font-size:x-small;\">Fonte: Correio Popular<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family:arial;color:#000000;font-size:x-small;\"> \/\/ <\/span><span style=\"font-family:arial;color:#000000;font-size:x-small;\"><span style=\"font-family:Verdana;font-size:x-small;\"><strong><a href=\"history.back()\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.cpopular.com.br\/images\/voltar.gif\" border=\"0\" alt=\"\" align=\"left\" \/><\/a><\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family:arial;color:#000000;font-size:x-small;\"> <\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 13 de outubro de 1945, o est\u00e1dio do Pacaembu foi palco de um\u00a0jogo hist\u00f3rico, de inestim\u00e1vel valor para a democracia brasileira. 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