{"id":1551,"date":"2016-05-16T09:30:53","date_gmt":"2016-05-16T11:30:53","guid":{"rendered":"https:\/\/nandadefreitas.wordpress.com\/?p=1551"},"modified":"2026-02-26T02:48:09","modified_gmt":"2026-02-26T02:48:09","slug":"resenha-a-vida-que-ninguem-ve-eliane-brum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nandadefreitas.com.br\/index.php\/2016\/05\/16\/resenha-a-vida-que-ninguem-ve-eliane-brum\/","title":{"rendered":"[Resenha] A vida que ningu\u00e9m v\u00ea &#8211; Eliane Brum"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>\u201cA vida que ningu\u00e9m v\u00ea\u201d<\/strong> \u00e9 um livro que te prende do come\u00e7o ao fim. A cada p\u00e1gina virada os personagens saltam da folha e te convidam a apreciar hist\u00f3rias comoventes do cotidiano. No livro a documentarista, jornalista e escritora Eliane Brum apresenta uma sele\u00e7\u00e3o de cr\u00f4nicas sobre pessoas an\u00f4nimas que t\u00eam hist\u00f3rias fant\u00e1sticas que n\u00e3o s\u00e3o contadas nas p\u00e1ginas dos jornais.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A autora \u201cdesvendou\u201d hist\u00f3rias comuns e nos apresenta uma reportagem do comum, mas com relatos inacredit\u00e1veis!<a href=\"https:\/\/nandadefreitas.files.wordpress.com\/2016\/05\/a_vida_que_ninguem_ve.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-1552\" src=\"https:\/\/nandadefreitas.files.wordpress.com\/2016\/05\/a_vida_que_ninguem_ve.jpg?w=500\" alt=\"a_vida_que_ninguem_ve\" width=\"500\" height=\"381\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u201cA vida que ningu\u00e9m v\u00ea\u201d \u00e9 um livro que desperta muitos sentimentos no leitor: te sensibiliza com a <em>\u201cHist\u00f3ria de um olhar\u201d<\/em>; te inspira com <em>\u201cEva contra as almas deformadas\u201d<\/em>; te indigna com <em>\u201cDepois da filha, Antonio sepultou a mulher\u201d<\/em>; te faz chorar com <em>\u201cSinal fechado para Camila\u201d<\/em> e sorrir com <em>\u201cO ga\u00facho do cavalo de pau\u201d<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O livro \u00e9 uma homenagem \u00e0queles que, de alguma maneira, vivem de forma extraordin\u00e1ria, \u00e0s margens da sociedade, lutando para sobreviver, buscando conquistar seus sonhos e fazendo de cada dia um momento especial. \u00c9 tamb\u00e9m uma aula sobre jornalismo-sociol\u00f3gico e comportamento humano porque apresenta as situa\u00e7\u00f5es simples e perturbadoras do cotidiano.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>\u00c9 tudo verdade. Da primeira \u00e0 \u00faltima linha, todas as palavras foram ditas, todos os sentimentos vividos. \u201cA vida que ningu\u00e9m v\u00ea\u201d \u00e9 o resultado da busca de uma rep\u00f3rter pela not\u00edcia que n\u00e3o estava no jornal. Os textos s\u00e3o reportagens pautadas pelo exerc\u00edcio de um olhar atento aos pequenos acontecimentos, ao que se passa na exist\u00eancia das pessoas desconhecidas. \u00c9 a trajet\u00f3ria de uma rep\u00f3rter em busca do extraordin\u00e1rio em cada vida \u2013 s\u00f3 aparentemente \u2013 ordin\u00e1ria. \u00c9 o avesso do jornalismo padr\u00e3o. \u00a0(Sinopse)<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">A\u00a0autora leva a risca\u00a0o conceito de que \u201ca not\u00edcia est\u00e1 em todo lugar\u201d. Mas \u00e9 preciso ter um olhar apurado para identific\u00e1-la e cont\u00e1-la. E isso Eliane Brum tem de sobra!<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Al\u00e9m de ser uma jornalista premiad\u00edssima e documentarista talentosa. \u00c9 tamb\u00e9m uma observadora da vida real e escritora emp\u00e1tica e sagaz. Sou suspeita porque admiro muito o trabalho dessa escritora que tem o dom de tornar vis\u00edvel o que muitos n\u00e3o enxergam. Tenho saudades da sua <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/colunas-e-blogs\/eliane-brum\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">coluna no portal da revista \u00c9poca<\/a>. Ainda bem que posso l\u00ea-la no <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/eliane_brum\/a\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">El Pa\u00eds<\/a>.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>As cr\u00f4nicas reportagens reunidas neste livro \u201cA vida que ningu\u00e9m v\u00ea\u201d foram publicadas em 1999, na coluna de mesmo nome. Os textos sa\u00edam todos os s\u00e1bados no jornal Zero Hora, de Porto Alegre. Foram um sucesso t\u00e3o grande que Eliane Brum mereceu o Pr\u00eamio Esso Regional daquele ano. Os leitores escreviam contando que, ao ler sobre a vida an\u00f4nima de outro, descobriram que sua pr\u00f3pria vida era especial. \u201cTudo mudou\u201d, diziam. (Sinopse)<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Um retrato do livro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Lan\u00e7ada pela Arquip\u00e9lago Editorial com 208 p\u00e1ginas que re\u00fanem as 21 melhores hist\u00f3rias apuradas pela jornalista, a obra liter\u00e1ria tem uma linguagem flu\u00edda, coloquial e um regionalismo t\u00edpico do Sul, mas precisamente de Porto Alegre. A autora n\u00e3o criou\u00a0a reportagem cr\u00f4nica, mas, com certeza, deu um ar intenso e intrigante ao g\u00eanero denominado\u00a0&#8220;cr\u00f4nicas da vida real&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"https:\/\/nandadefreitas.files.wordpress.com\/2016\/05\/a_vida_que_ninguem_ve2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-1553\" src=\"https:\/\/nandadefreitas.files.wordpress.com\/2016\/05\/a_vida_que_ninguem_ve2.jpg?w=500\" alt=\"a_vida_que_ninguem_ve2\" width=\"500\" height=\"281\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u201cA vida que ningu\u00e9m v\u00ea\u201d apresenta textos autorais profundos que nos fazem pensar sobre a vida e a for\u00e7a que move esses personagens. O livro \u00e9 composto por:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"text-align:justify;\">Pref\u00e1cio\n<ul>\n<li style=\"text-align:justify;\">A vida que ningu\u00e9m v\u00ea como eu a vi &#8211; Marcelo Rech<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<li style=\"text-align:justify;\">A vida que ningu\u00e9m v\u00ea\n<ul>\n<li style=\"text-align:justify;\">Hist\u00f3rias de um olhar<\/li>\n<li style=\"text-align:justify;\">Adail quer voar<\/li>\n<li style=\"text-align:justify;\">Enterro de pobre<\/li>\n<li style=\"text-align:justify;\">Um certo Geppe Coppini<\/li>\n<li style=\"text-align:justify;\">O colecionador das almas sobradas<\/li>\n<li style=\"text-align:justify;\">O cativeiro<\/li>\n<li style=\"text-align:justify;\">O sapo<\/li>\n<li style=\"text-align:justify;\">O conde deca\u00eddo<\/li>\n<li style=\"text-align:justify;\">O menino do alto<\/li>\n<li style=\"text-align:justify;\">O chorador<\/li>\n<li style=\"text-align:justify;\">O encantador de cavalos<\/li>\n<li style=\"text-align:justify;\">O ga\u00facho do cavalo de pau<\/li>\n<li style=\"text-align:justify;\">O ex\u00edlio<\/li>\n<li style=\"text-align:justify;\">A voz<\/li>\n<li style=\"text-align:justify;\">Sinal fechado para Camila<\/li>\n<li style=\"text-align:justify;\">Dona Maria tem olhos brilhantes<\/li>\n<li style=\"text-align:justify;\">O doce velhinho dos comerciais<\/li>\n<li style=\"text-align:justify;\">O homem que come vidro<\/li>\n<li style=\"text-align:justify;\">O \u00e1lbum<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<li style=\"text-align:justify;\">O dia seguinte\n<ul>\n<li style=\"text-align:justify;\">Depois da filha, Antonio sepultou a mulher<\/li>\n<li style=\"text-align:justify;\">O dia em que Adail voou<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<li style=\"text-align:justify;\">Posf\u00e1cio &#8211; Ricardo Kotscho\n<ul>\n<li style=\"text-align:justify;\">Humanos an\u00f4nimos<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<li style=\"text-align:justify;\">Sobre a melhor profiss\u00e3o do mundo\n<ul>\n<li style=\"text-align:justify;\">O olhar insubordinado<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<li style=\"text-align:justify;\">Agradecimentos<\/li>\n<li style=\"text-align:justify;\">Cr\u00e9dito das imagens<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align:justify;\">Eliane Brum n\u00e3o foge do apurado rigor e olhar jornal\u00edstico-sociol\u00f3gico que lhe \u00e9 peculiar ao narrar a realidade do \u201cmendigo que jamais pediu coisa alguma; do carregador de malas do aeroporto que nunca voou; do macaco que ao fugir da jaula foi ao bar beber uma cerveja; do doce velhinho dos comerciais que \u00e9 tamb\u00e9m uma v\u00edtima do holocausto ou do homem que comia vidro, mas s\u00f3 se machucava com a invisibilidade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>\u201cEva \u00e9 mulher, negra e pobre. Eva treme as m\u00e3os. Tudo isso at\u00e9 aceitam. O que n\u00e3o lhe perdoam \u00e9 ter se recusado a ser coitada. O que n\u00e3o perdoam a Eva \u00e9, sendo mulher, negra, pobre, e deficiente f\u00edsica, ter completado a universidade. E neste pa\u00eds. Todas as fichas eram contra ela e, ainda assim, Eva ousou vencer a aposta. Por isso a condenaram.\u201d (pg. 101)<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"https:\/\/nandadefreitas.files.wordpress.com\/2016\/05\/a_vida_que_ninguem_ve31.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1555 alignleft\" src=\"https:\/\/nandadefreitas.files.wordpress.com\/2016\/05\/a_vida_que_ninguem_ve31.jpg\" alt=\"a_vida_que_ninguem_ve3\" width=\"280\" height=\"410\" \/><\/a>\u00c9 uma obra que precisa e merece ser lida, principalmente por jornalistas. Isso porque somos transportados para o tempo e espa\u00e7o da hist\u00f3ria contada. \u201cA vida que ningu\u00e9m v\u00ea\u201d tem um tom visceral, comovente, convidativo e que apresenta o outro como a gente pouco\u00a0v\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O que eu aprendi com \u201cA vida que ningu\u00e9m v\u00ea\u201d foi manter um olhar mais atento e apurado para os \u201ccomuns\u201d que transitam\u00a0pela minha vida: pessoas comuns, situa\u00e7\u00f5es comuns, lugares comuns&#8230; os comuns do cotidiano que, muitas vezes, passam despercebidos, apesar de serem repletos de significados especiais.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ao lan\u00e7ar um olhar apurado sobre o cotidiano de uma sociedade automatizada, embrutecida e que n\u00e3o tem tempo para ouvir, entender,\u00a0perceber ou acolher o outro, acabamos por desvendar algo a respeito do desconhecido e descobrimos tamb\u00e9m algo sobre n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Vale destacar que Eliane Brum tem no seu curr\u00edculo os livros \u201cUma Duas\u201d,\u00a0\u201cColuna Prestes \u2013 O avesso da lenda\u201d,\u00a0\u201cO olho da rua &#8211; uma rep\u00f3rter em busca da literatura da vida real\u201d\u00a0e\u00a0\u201cA menina quebrada\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:left;\"><strong>Informa\u00e7\u00f5es T\u00e9cnicas<\/strong><\/p>\n<p><strong>T\u00edtulo:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>A Vida Que Ningu\u00e9m V\u00ea<\/p>\n<p><strong>Autora:<\/strong>\u00a0Eliane Brum<\/p>\n<p><strong>N\u00famero de P\u00e1ginas:<\/strong>\u00a0208 p\u00e1ginas<\/p>\n<p><strong>Editora:<\/strong>\u00a0Arquip\u00e9lago Editorial<\/p>\n<p><strong>Avalia\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0\u00d3timo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA vida que ningu\u00e9m v\u00ea\u201d \u00e9 um livro que te prende do come\u00e7o ao fim. A cada p\u00e1gina virada os personagens saltam da folha e te convidam a apreciar hist\u00f3rias comoventes do cotidiano. No livro a documentarista, jornalista e escritora Eliane Brum apresenta uma sele\u00e7\u00e3o de cr\u00f4nicas sobre pessoas an\u00f4nimas que t\u00eam hist\u00f3rias fant\u00e1sticas que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_mi_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[3,4,13],"tags":[43,213,301,457,461,497,499],"class_list":["post-1551","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comunicacao-jornalismo","category-cultura","category-palavras-e-estantes","tag-a-vida-que-ninguem-ve","tag-cronica","tag-eliane-brum","tag-jornalismo","tag-jornalista","tag-livro","tag-livro-reportagem"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nandadefreitas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1551","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nandadefreitas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nandadefreitas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nandadefreitas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nandadefreitas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1551"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nandadefreitas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1551\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2031,"href":"https:\/\/nandadefreitas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1551\/revisions\/2031"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nandadefreitas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1551"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nandadefreitas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1551"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nandadefreitas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1551"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}